Outro mero atrevimento poético. Não reparem...
*****
Eu queria não mais sentir o hálito de seu suspiro de cansaço. Você permanecia com os braços pendurados ao meu pescoço, com o olhar de enfado fuzilando meus olhos, como que me culpando pela saturação de nosso dia-a-dia.
Eu quis fazer do brilho de seus olhos um farol a guiar em cada um de seus mares. Você fechou os olhos e virou-se para o lado, em sinal de que eu não recebia permissão para navegar.
Eu queria sentir o calor das suas mãos, a quentura de nossos corpos e transformar em fervor cada carícia vivida a dois. Você se manifestava com um morno afago em meus cabelos, se trancava na frieza de um sorriso escondido e me calava no gelo de sua indiferença.
Eu não quis que você fosse. Você passou por cima do meu querer, queria outros planos, queria novos ares. Não me queria mais.
Eu quis que você fosse embora. Por mera ousadia, capricho de coração de criança, tão inocente que acha que num vento pode desconstruir o que o coração lapidou com tamanho esmero.
Eu quero não acordar insone ainda sentindo o gosto de seus beijos. Você se faz senhora de meus lábios, dona de meus mais íntimos sonhos e de minha agora solitária realidade. Pois, para você, nunca houve chance para o meu querer.
Trilha sonora, um dos textos do livro DIÁRIO DE UM SALAFRÁRIO, na voz de Eliane Gonzaga.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Cristal japonês
Aproveitou que ele estava de olhos fechados e desviou bruscamente a vista para o relógio da cabeceira. Para evitar que ele desconfiasse de seu enfado, deu mais um falso gemido de prazer. Ele respondeu ao seu afeto de mentira com uma mordida de verdade em sua orelha. Por alguns instantes, ela teve receio de ficar com o lóbulo ensanguentado, mas logo voltou a atenção para ele. Queria que aquilo tudo acabasse de uma vez.
Deixou que ele acariciasse seus seios, pois muitas vezes ele disse que era a parte dela que ele mais gostava. Achou que já era uma concessão muito grande, tamanho o desajeito do apalpar dos dedos dele. Ia empurrá-lo, mas hesitou ao sentir que a respiração dele ficava mais ofegante. Abraçou-o com súbito afeto, um abraço de despedida daquele momento a dois que iria terminar. Um último grito até ele cair em cansaço sobre ela. Novo olhar para o relógio. Um leve roçar de lábios, e ele pendeu para o lado esquerdo da cama. Ela permaneceu de costas para ele. Puxou o braço e fez com que ele a envolvesse pela cintura. O hálito dele se aproximou de seu ouvido e sussurrou um "boa noite" seguido de um beijo no pescoço. Ela respirou fundo, agradecida pelo "boa noite" que só aconteceu às duas e quarenta e oito da manhã. Fez um afago em sua mão e não disse mais nada. Não demorou muito para ele adormecer.
Mentalmente, começou a enumerar todas as justificativas para o que ia fazer logo que ele despertasse. Relembrou, palavra por palavra, cada incômodo que aumentava ainda mais depois de mais uma noite de insônia. Falou para si tudo o que iria falar para ele. Voltou a olhar para o relógio, tinham passado poucos minutos. Enumerou novamente. Outros pouquíssimos minutos. Tentou dizer pausadamente (com intervalos mais longos entre um tópico e outro) para ver se conseguia fazer com que o dia raiasse. Pouco adiantou.
Prosseguiu a relatar todas as suas amarguras, numa cantilena que parecia um contar de carneirinhos - ironicamente, para contar as razões de sua falta de sono. Sentiu raiva. Tédio. Amargura. Insegurança. Ódio. Pena. Dele e de si. Mas em nenhum momento conseguiu forçar uma lágrima que a deixasse menos insensível.
O relógio anunciou cinco da manhã. Faltava cerca de uma hora. Teve de recorrer a uma última ideia. Coçou o nariz com violência até forçar um espirro. Ele veio. Fez o mesmo por três vezes, até deixá-lo bem entupido. Cinco e meia. O dia saía. Em silêncio, retirou o braço dele de sua cintura e foi em direção à gaveta da cabeceira. Abriu seu estojinho de maquiagem e encontrou o cristal japonês. Passou por seus olhos e conseguiu, finalmente, um lacrimejar. Suspirou aliviada.
Deitou-se novamente com ele. Agora experimentava uma certa dose de liberdade. Começou a pensar em outros horizontes, e assim o tempo passou mais rápido. Cinco e quarenta. Outro coçar de nariz, novos espirros e uma dose maior de cristal japonês nos olhos.
Cinco e cinquenta. A última dose do líquido e agora ficar sentada na cama. Mais cinco minutos, ele despertou. Notou-a sentada e tentando esconder o rosto entre seus joelhos. Ainda com hálito de sono, disse um "bom dia". Ela levantou um pouco o corpo e afagou a face, de forma a ele perceber que seu rosto tinha chorado.
Ele prontamente "despertou". Perguntou o que tinha acontecido, se podia ajudar. Ainda mais patético do que ela imaginava que seria num momento desses. Mas ela teve sorte de a congestão nasal alterar sua voz. Aquelas palavras duras pareciam mais amenas ditas por uma mulher que chorou a madrugada toda. Escancarou todas as mágoas de anos de relacionamento, amparada pelo cinismo que sua conduta criou.
A cada esboço de insistência, ela forçava a vista e derramava mais lágrimas. Ele se solidarizava, a deixava envolvida em seus braços, a procurava em sua boca. Mas sempre o que achava era o choro da mulher que amava.
Enfim, desistiu. Disse que a imagem dela com suas olheiras de sono e de choro eram feridas em seu coração. Ela sentiu vontade de rir de tamanha breguice, mas segurou-se na feição de coitada. Disse que ia arrumar as malas.
Ele lacrimejou. Desviou seu olhar do dela e, com a voz verdadeiramente chorosa, disse apenas um "tudo bem". Em silêncio, ela vestiu-se. Preencheu duas malas com roupas, maquiagem, cremes, escovas de dente e de cabelo, alguns bichinhos de pelúcia e um colar que ele deu de presente. Olhou para o anel de compromisso que trazia na mão direita. Achava ele bonito, mas pensou que a pieguice dele teria um afago neste simbolismo barato.
Foi em direção a ele, afagou sua mão. Ao deixá-la aberta, fez o movimento de retirar o anel e colocá-lo na mão dele. Ele escondeu o rosto em prantos. Ela ainda soltou o clichê "seja feliz" e, mesmo com a boca dele esboçando um último beijo, ela deu um suave roçar de lábios em sua testa.
Levou as duas malas e o deixou solitário no quarto, sem olhar para trás. Carregava consigo uma última imagem dele: a de um sujeito fraco, desolado. E com as emoções manipuladas facilmente pelas artimanhas de um cristal japonês.
Deixou que ele acariciasse seus seios, pois muitas vezes ele disse que era a parte dela que ele mais gostava. Achou que já era uma concessão muito grande, tamanho o desajeito do apalpar dos dedos dele. Ia empurrá-lo, mas hesitou ao sentir que a respiração dele ficava mais ofegante. Abraçou-o com súbito afeto, um abraço de despedida daquele momento a dois que iria terminar. Um último grito até ele cair em cansaço sobre ela. Novo olhar para o relógio. Um leve roçar de lábios, e ele pendeu para o lado esquerdo da cama. Ela permaneceu de costas para ele. Puxou o braço e fez com que ele a envolvesse pela cintura. O hálito dele se aproximou de seu ouvido e sussurrou um "boa noite" seguido de um beijo no pescoço. Ela respirou fundo, agradecida pelo "boa noite" que só aconteceu às duas e quarenta e oito da manhã. Fez um afago em sua mão e não disse mais nada. Não demorou muito para ele adormecer.
Mentalmente, começou a enumerar todas as justificativas para o que ia fazer logo que ele despertasse. Relembrou, palavra por palavra, cada incômodo que aumentava ainda mais depois de mais uma noite de insônia. Falou para si tudo o que iria falar para ele. Voltou a olhar para o relógio, tinham passado poucos minutos. Enumerou novamente. Outros pouquíssimos minutos. Tentou dizer pausadamente (com intervalos mais longos entre um tópico e outro) para ver se conseguia fazer com que o dia raiasse. Pouco adiantou.
Prosseguiu a relatar todas as suas amarguras, numa cantilena que parecia um contar de carneirinhos - ironicamente, para contar as razões de sua falta de sono. Sentiu raiva. Tédio. Amargura. Insegurança. Ódio. Pena. Dele e de si. Mas em nenhum momento conseguiu forçar uma lágrima que a deixasse menos insensível.
O relógio anunciou cinco da manhã. Faltava cerca de uma hora. Teve de recorrer a uma última ideia. Coçou o nariz com violência até forçar um espirro. Ele veio. Fez o mesmo por três vezes, até deixá-lo bem entupido. Cinco e meia. O dia saía. Em silêncio, retirou o braço dele de sua cintura e foi em direção à gaveta da cabeceira. Abriu seu estojinho de maquiagem e encontrou o cristal japonês. Passou por seus olhos e conseguiu, finalmente, um lacrimejar. Suspirou aliviada.
Deitou-se novamente com ele. Agora experimentava uma certa dose de liberdade. Começou a pensar em outros horizontes, e assim o tempo passou mais rápido. Cinco e quarenta. Outro coçar de nariz, novos espirros e uma dose maior de cristal japonês nos olhos.
Cinco e cinquenta. A última dose do líquido e agora ficar sentada na cama. Mais cinco minutos, ele despertou. Notou-a sentada e tentando esconder o rosto entre seus joelhos. Ainda com hálito de sono, disse um "bom dia". Ela levantou um pouco o corpo e afagou a face, de forma a ele perceber que seu rosto tinha chorado.
Ele prontamente "despertou". Perguntou o que tinha acontecido, se podia ajudar. Ainda mais patético do que ela imaginava que seria num momento desses. Mas ela teve sorte de a congestão nasal alterar sua voz. Aquelas palavras duras pareciam mais amenas ditas por uma mulher que chorou a madrugada toda. Escancarou todas as mágoas de anos de relacionamento, amparada pelo cinismo que sua conduta criou.
A cada esboço de insistência, ela forçava a vista e derramava mais lágrimas. Ele se solidarizava, a deixava envolvida em seus braços, a procurava em sua boca. Mas sempre o que achava era o choro da mulher que amava.
Enfim, desistiu. Disse que a imagem dela com suas olheiras de sono e de choro eram feridas em seu coração. Ela sentiu vontade de rir de tamanha breguice, mas segurou-se na feição de coitada. Disse que ia arrumar as malas.
Ele lacrimejou. Desviou seu olhar do dela e, com a voz verdadeiramente chorosa, disse apenas um "tudo bem". Em silêncio, ela vestiu-se. Preencheu duas malas com roupas, maquiagem, cremes, escovas de dente e de cabelo, alguns bichinhos de pelúcia e um colar que ele deu de presente. Olhou para o anel de compromisso que trazia na mão direita. Achava ele bonito, mas pensou que a pieguice dele teria um afago neste simbolismo barato.
Foi em direção a ele, afagou sua mão. Ao deixá-la aberta, fez o movimento de retirar o anel e colocá-lo na mão dele. Ele escondeu o rosto em prantos. Ela ainda soltou o clichê "seja feliz" e, mesmo com a boca dele esboçando um último beijo, ela deu um suave roçar de lábios em sua testa.
Levou as duas malas e o deixou solitário no quarto, sem olhar para trás. Carregava consigo uma última imagem dele: a de um sujeito fraco, desolado. E com as emoções manipuladas facilmente pelas artimanhas de um cristal japonês.
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sem dó nem piedade
Uma palavra valeu mais que mil imagens para ele confirmar que seu passado tinha vindo à tona: ASSASSINO. Em letras garrafais e pichado em seu muro. Ao sair de seu barraco e caminhar rumo a mais um dia de tentativas de emprego, todos o encararam com olhares de reprovação. Os mais fracos, os mais velhos, os mais doentes traziam um semblante de medo. Cada vez que cruzava o caminho de uma criança, logo aparecia algum adulto para puxá-la e evitar que os dois se encontrassem.
No início se sentia constrangido. Depois, aos poucos foi vendo os benefícios da fama de criminoso. Podia pegar a cerveja recém-aberta deixada no boteco - o dono, entocado atrás do balcão, não protestava de tão amordaçado pelo medo. E ele gostava de ver todos os olhos amedrontados, fuzilados a cada sorriso cínico que ele direcionava aos pobres coitados do cortiço.
A rua lhe fechava as portas do emprego. A vizinhança lhe fechava as portas por respeitar a autoridade conquistada pelo temor. Ia para mais um dia de busca de trabalho com a autoestima nas nuvens. Mas sua vista alcançou-a pela primeira vez.
Viu aqueles olhos fundos, claros, tão transparentes que através deles pôde ver refletidos seus próprios defeitos e a imensa crueza à qual foi submetida sua vida nos anos passados dentro da penitenciária. Os olhos dela não se atemorizaram. Ela o olhou por segundos. Instantes suficientes para ele perder seu prumo.
Deixou de lado a entrevista de emprego. Decidiu seguir o trajeto de sua caminhada. Ela entrou em sua escola. Ele esperou, pacientemente. Arquitetou cada passo de seu plano. Não, neste plano não haveria mortos. A única morte que ele queria era o daqueles olhos. Daqueles olhos piedosos, tão transparentes em sua inocência.
Os alunos foram saindo aos montes. Ele achou-a e se aproximou dela com a promessa de um mimo que ela deveria buscar em sua casa. A voz dele ficou misteriosamente doce, ainda mais aos olhos de alguém tão inocente. Por um momento macabro, viu que o olhar de sua vítima podia ser seu cúmplice.
Ela sorria dentro do uniforme de escola. Tão comportada, tão cândida, tão exemplar quanto ele jamais fora para seus pais. Aquilo lhe sufocava por dentro enquanto ela dizia que tinha chegado lá há pouco e os pais ficavam o tempo todo na rua trabalhando. Seu olhar quase se desarmou enquanto os dois caminhavam. Mas logo os olhares do cortiço o fizeram recordar sua vontade naquele momento.
Fechou a porta de sua casa e já agarrou-a pelos cabelos. Fez uma carícia em sua nuca e sua mão áspera foi subindo pela pele alva e intocada da menina. Queria o seu prazer e o nojo dela. Mas não conseguiu.
Ainda de costas para ele, ela pousou uma das mãos em seu seio. No seio entreaberto pelos botões da blusa do uniforme. A outra, ela levou aos lábios. Passou a língua em cada dedo, sussurrando de desejo. Virou-se para ele, com a blusa entreaberta e o sutiã caído. Sua boca sussurrava "vem, vem" e seus olhos claros recebiam labaredas que o assustaram.
Delicadamente, puxou a calcinha para o lado e agarrou-se a ele. Não pareciam mais os mesmos olhos que ele ansiava por trazer lágrimas. Ele agora a entregava os primeiros olhares de mulher. E seu desejo por ela se confrontava com a amargura na qual mergulhava, por saber que em breve os olhos dela ficariam mais belos entregues ao próprio prazer.
Foi uma fração de segundos. Ela deu o primeiro grito de prazer e, sem dó nem piedade, suas mãos agarraram o pescoço dela. Seu olhar esperou pacientemente os olhos dela pararem de se mexer. Só assim suas mãos puderam fechar de uma vez a pureza daqueles olhos que tanto o torturaram e, se estivessem abertos, permaneceriam intactos em sua inocência.
No início se sentia constrangido. Depois, aos poucos foi vendo os benefícios da fama de criminoso. Podia pegar a cerveja recém-aberta deixada no boteco - o dono, entocado atrás do balcão, não protestava de tão amordaçado pelo medo. E ele gostava de ver todos os olhos amedrontados, fuzilados a cada sorriso cínico que ele direcionava aos pobres coitados do cortiço.
A rua lhe fechava as portas do emprego. A vizinhança lhe fechava as portas por respeitar a autoridade conquistada pelo temor. Ia para mais um dia de busca de trabalho com a autoestima nas nuvens. Mas sua vista alcançou-a pela primeira vez.
Viu aqueles olhos fundos, claros, tão transparentes que através deles pôde ver refletidos seus próprios defeitos e a imensa crueza à qual foi submetida sua vida nos anos passados dentro da penitenciária. Os olhos dela não se atemorizaram. Ela o olhou por segundos. Instantes suficientes para ele perder seu prumo.
Deixou de lado a entrevista de emprego. Decidiu seguir o trajeto de sua caminhada. Ela entrou em sua escola. Ele esperou, pacientemente. Arquitetou cada passo de seu plano. Não, neste plano não haveria mortos. A única morte que ele queria era o daqueles olhos. Daqueles olhos piedosos, tão transparentes em sua inocência.
Os alunos foram saindo aos montes. Ele achou-a e se aproximou dela com a promessa de um mimo que ela deveria buscar em sua casa. A voz dele ficou misteriosamente doce, ainda mais aos olhos de alguém tão inocente. Por um momento macabro, viu que o olhar de sua vítima podia ser seu cúmplice.
Ela sorria dentro do uniforme de escola. Tão comportada, tão cândida, tão exemplar quanto ele jamais fora para seus pais. Aquilo lhe sufocava por dentro enquanto ela dizia que tinha chegado lá há pouco e os pais ficavam o tempo todo na rua trabalhando. Seu olhar quase se desarmou enquanto os dois caminhavam. Mas logo os olhares do cortiço o fizeram recordar sua vontade naquele momento.
Fechou a porta de sua casa e já agarrou-a pelos cabelos. Fez uma carícia em sua nuca e sua mão áspera foi subindo pela pele alva e intocada da menina. Queria o seu prazer e o nojo dela. Mas não conseguiu.
Ainda de costas para ele, ela pousou uma das mãos em seu seio. No seio entreaberto pelos botões da blusa do uniforme. A outra, ela levou aos lábios. Passou a língua em cada dedo, sussurrando de desejo. Virou-se para ele, com a blusa entreaberta e o sutiã caído. Sua boca sussurrava "vem, vem" e seus olhos claros recebiam labaredas que o assustaram.
Delicadamente, puxou a calcinha para o lado e agarrou-se a ele. Não pareciam mais os mesmos olhos que ele ansiava por trazer lágrimas. Ele agora a entregava os primeiros olhares de mulher. E seu desejo por ela se confrontava com a amargura na qual mergulhava, por saber que em breve os olhos dela ficariam mais belos entregues ao próprio prazer.
Foi uma fração de segundos. Ela deu o primeiro grito de prazer e, sem dó nem piedade, suas mãos agarraram o pescoço dela. Seu olhar esperou pacientemente os olhos dela pararem de se mexer. Só assim suas mãos puderam fechar de uma vez a pureza daqueles olhos que tanto o torturaram e, se estivessem abertos, permaneceriam intactos em sua inocência.
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