Após uma semana de silêncio, segue um atrevimento poético inédito. Continuo na minha busca incessante de enxergar a alma feminino. Sei que é uma trajetória incerta, mas não custa tentar. Elas merecem.
*****
Diz que me ama
É o que meu coração clama
E dia após dia se inflama
Fico ansiosa, ardorosa por sua chama
Diz que me ama
E eu me derreto num sussurro
Toda minha insegurança eu esmurro
Fico acarinhada pelo amor que você proclama
Diz que me ama
Assim, o meu coração dispara
Pula, até que em seu peito se ampara
E se aquieta, aconchegado em sua cama
Peço “diz que me ama”
Você responde que gosta de outra
Em uma atitude tão neutra
Que dói meu amor-próprio de dama
Imploro “diz que me ama”
Você vira as costas sem me ouvir
Meus olhos te acompanham sair
Indiferente ao apelo que meu afeto declama
Diz que me ama
E foi embora na primeira oportunidade
De recordação, deixou a saudade
Da flor do bem-me-quer, não sobrou nenhuma rama
Diz que me ama
É meu pedido de boa-noite
Mas seu silêncio dói feito açoite
Anoiteço, dolorosa, em meu choro de melodrama
Trilha sonora, um dos textos do livro DIÁRIO DE UM SALAFRÁRIO, na voz de Eliane Gonzaga.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Mais uma do salafrário

A Litteris Editora comunicou, por carta, que o poema intitulado MALAS PRONTAS foi selecionado para a antologia Jogando com as palavras, toda feita com obras de ficção que falam sobre futebol. Em breve, mais um registro em livro deste salafrário que vos escreve.
Obrigado a vocês, que fazem com que o Diário de um salafrário sempre esteja em atividade.
Vinícius Faustini
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Diário do front
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Sensacionalismo
Ela, a putinha do reality show
Ele, o centroavante, o autor daquele gol
Sorrisos para flashes, o casal apaixonado
De suas aparições em público, tudo fotografado e filmado
Primeiro encontro, beijos, carícias e quarto de motel
Mais uns meses, entrevista coletiva pra anunciar casamento
Jornais, TV, Internet, tanto para gravar aquele momento
Fotos em revistas de fofoca, direto de Paris, terra da lua-de-mel
Volta de férias, propostas de times da Europa
Contrato milionário e ela confirma que vai posar pra revista masculina
Ele ainda diz que quer jogar uma Copa
Ela faz caras, bocas, e sua nudez alucina
Convite pra fazer novela
Brecha para jogar na Arábia
Flagra! Ele agarrando uma garota tão bela
E a outra, em entrevista, reclama "como fui cair na sua lábia?"
Ele não se adapta ao futebol estrangeiro
A personagem dela morre depois de tantas atuações risíveis
Os dois se reencontram e já trocam farpas por causa de dinheiro
E a mídia aproveita tantos espetáculos sofríveis
Primeiro, discussões ásperas, ouvidas pelos vizinhos
Pratos e vasos quebrados, em crises que se acabam na cama
Já de nada adianta, está no jornal, eles sofrem o preço da fama
"O povo fala", opina e os dois já não estão mais sozinhos
Resta o novo soneto da separação
Cada um pro seu lado, cada um chorando suas mágoas num canal
E eles permancem sedentos pela apelação
Faz parte, uma coisa tão normal
E a cada ano os dois sobrevivem
Ele vai jogar num time de menor expressão pra não cair no ostracismo
Ela se despe por um cachê barato, mas os sonhos do "ex-casal" só revivem
Se chegarem aos holofotes através de uma boa dose de sensacionalismo
Ele, o centroavante, o autor daquele gol
Sorrisos para flashes, o casal apaixonado
De suas aparições em público, tudo fotografado e filmado
Primeiro encontro, beijos, carícias e quarto de motel
Mais uns meses, entrevista coletiva pra anunciar casamento
Jornais, TV, Internet, tanto para gravar aquele momento
Fotos em revistas de fofoca, direto de Paris, terra da lua-de-mel
Volta de férias, propostas de times da Europa
Contrato milionário e ela confirma que vai posar pra revista masculina
Ele ainda diz que quer jogar uma Copa
Ela faz caras, bocas, e sua nudez alucina
Convite pra fazer novela
Brecha para jogar na Arábia
Flagra! Ele agarrando uma garota tão bela
E a outra, em entrevista, reclama "como fui cair na sua lábia?"
Ele não se adapta ao futebol estrangeiro
A personagem dela morre depois de tantas atuações risíveis
Os dois se reencontram e já trocam farpas por causa de dinheiro
E a mídia aproveita tantos espetáculos sofríveis
Primeiro, discussões ásperas, ouvidas pelos vizinhos
Pratos e vasos quebrados, em crises que se acabam na cama
Já de nada adianta, está no jornal, eles sofrem o preço da fama
"O povo fala", opina e os dois já não estão mais sozinhos
Resta o novo soneto da separação
Cada um pro seu lado, cada um chorando suas mágoas num canal
E eles permancem sedentos pela apelação
Faz parte, uma coisa tão normal
E a cada ano os dois sobrevivem
Ele vai jogar num time de menor expressão pra não cair no ostracismo
Ela se despe por um cachê barato, mas os sonhos do "ex-casal" só revivem
Se chegarem aos holofotes através de uma boa dose de sensacionalismo
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